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sexta-feira, 26 de março de 2010

Memória e Cinza

Em um momento em que o Brasil reivindica um papel protagônico na política e nas instituições internacionais que corresponda ao seu justo lugar no concerto das nações e a sua crescente relevância nas relações dos países dos vários continentes com este país-continente, e que, para tanto, se propõe a dialogar com todas elas, inclusive com aquelas que se opõem frontalmente à sua índole democrática no plano político, religioso e étnico, parece mais do que oportuno indagar o que pensa o mundo intelectual brasileiro de temas e chagas que estão na ordem do dia e obsedam os espíritos, ainda hoje, decorridos sessenta anos da Segunda Guerra Mundial, como é o Holocausto – o extermínio de milhões de seres humanos pela fúria assassina do nazifascismo। Esta é a atualidade do simpósio que Edelyn Schweidson organizou no Rio de Janeiro e que agora a editora Perspectiva publica sob o título de Memória e Cinzas। Não será exagero dizer que a palavra e o debate de professores, escritores, jornalistas e psicanalistas como Sergio Paulo Rouanet, Márcio Seligmann-Silva, Fabio Landa, Renato Lessa, Paulo Blank, Marylink Kupferberg, Eduardo Vidal, refletem a reação de uma camada formadora de opinião em nosso contexto, diante desses horrendos episódios que, como em tantas outras carnificinas assinaladas na história, marcaram a supostamente adiantadíssima, humaníssima e inteligentíssima era contemporânea. Ainda que não haja nenhuma pretensão de refletir uma unanimidade, e já dizia o velho sábio que toda unanimidade é burra, as análises aqui presentes sugerem, antes de mais nada, “que os filhotes infernais, pit bulls de um novo Holocausto, já deram início à sua temporada de caça”, como tão brilhantemente lembrou Sergio Paulo Rouanet. Mais que uma advertência, o que o leitor encontrará aqui serão as malhas finas de percepções que vão ao vivo dos fatos, dos processos e da memória do que foi a Schoá. Os oradores-ensaístas não se debruçam apenas, ao modo de Jó, sobre este passado inenarrável, mas atentam para o que permaneceu incandescente, sob as cinzas da insanidade devastadora em que seres humanos enjaularam, classificaram e exterminaram seus semelhantes, com a fúria fria de que nenhum animal seria capaz. Este é o percurso que vai das memórias às cinzas nestes textos em que, queremos crer, a voz do povo e, sem dúvida, do espírito brasileiros se fazem ouvir neste livro de levantamento, advertência e protesto.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Lutero

Bruno Gervásio Branci

No mundo pós-moderno percebemos várias vertentes do cristianismo. Com exceção da Igreja Ortodoxa, todas essas vertentes sofreram influências ideológica de maneira direta ou indireta de Martin Lutero. Ele é até hoje um personagem polêmico, por vezes tratado como anjo destinado por Deus.

Devemos ele a livre interpretação dos textos sagrados, graças a tradução da Bíblia na língua alemã. As suas teses obrigaram a Igreja a se reformular e combater muitos desvios de conduta que denegriam a imagem de Igreja de Roma.

Suas teses serviram de inspiração aos Calvinistas que pregavam além da fé, o enriquecimento como sinal de graça divina. Essa doutrina serviu de base ética, religiosa e moral, que justificou e consolidou o capitalismo como sistema econômico.

Percebemos que as conseqüências das teses de Lutero estão presentes no nosso dia a dia. Suas idéias alteraram o curso da história, provocando uma mudança de mentalidade e servindo de justificativa ideológica a crescente classe mercantil. Ignorar Lutero é como não perceber um furacão que consegui mudar até certos ritos católicos, mais ainda mudou a forma do homem se ver no mundo e sua relação com o divino.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Teoria e Produção do Texto I

O destruidor fogo do saber
Vinícius Pena e Silva

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Em “A música das esferas” (Revista Esfinge, pag. 44) fala-se na presença da harmonia da música em todas as formas do universo. Para alguns pensadores, a música possuiria uma forma organizada e equilibrada. O universo seria exatamente a mesma coisa que a música, ou ainda, seria composto por ela, originando-se daí a idéia de um universo harmônico.

Assim como o universo, tudo o que nele se encontra respeitaria a mesma norma. Os animais, as plantas, a natureza, tudo. Tudo seria harmônico e naturalmente equilibrado.

Fazendo parte, o homem, do universo, este também seria harmônico em sua natureza. Mas, como diz o mito de Prometeu e Epitemeteu, o homem recebeu sabedoria e fogo para que possuísse dons tão harmônicos quanto dos demais animais e assim não ser diferente e não quebrar a harmonia da natureza.

No entanto, o homem tornou-se diferente de todos os outros seres, exatamente pelos dons que recebeu. O homem passou a possuir a mesma capacidade dos deuses, ou seja, a criar e destruir a harmonia do universo com seu fogo e seu saber.

Provavelmente, o homem, ainda hoje, destrói mais do que é capaz de construir, no que diz respeito à harmonia. Porém talvez isso seja um reflexo da necessidade do homem de trabalhar sua própria harmonia interior. O homem precisa compor a musica que o compõe, para que ele tenha o poder de harmonizar o mundo.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O Historiador Como Colunista





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Conhecia Peter Burke, através de entrevistas, como professor emérito da Universidade de Cambridge। Acabei de ler o volume O Historiador Como Colunista e gostei muito. Trata-se de uma coletânea de ensaios publicados na Folha de São Paulo pelo referido historiador que assume ver novelas e lê a cultura contemporânea reorientada a partir das experiências virtuais.

Neste livro ele escreve, dentre outros, sobre livros e autores, idéias e culturas, instituições e idiomas. Analisa mitos, estéticas, comportamentos (o ensaio sobre o silêncio é um dos meus prediletos) e destaca práticas existenciais do cotidiano e de pessoas comuns (o ensaio sobre os shoppings é exemplar). Bom mesmo é sacar que Peter é um autor que lê e escreve sobre o seu tempo, com a linguagem do seu tempo.

A escrita leve e a multiplicidade de temas lidos por um recorte histórico e cultural tornam a leitura do volume bastante produtiva para diferentes áreas das ciências humanas, já que personagens e assuntos de diferentes contextos permeiam a obra. Nela gostei de ler, em vários ensaios, referências a autores que aprecio como Montaigne, Borges, Walter Benjamin, Gilberto Freyre e Mikhail Bakhtin.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Getúlio, Mito









Carlos Heitor Cony, com a honestidade intelectual que lhe é marcante, escreveu durante várias semanas, ao tempo em que trabalhava na revista Manchete, os capítulos daquele que viria a ser o livro Quem Matou Vargas। Na apresentação, o escritor-jornalista, que havia sido o alvo preferido do ministro do Exército do primeiro governo militar pós-64, general Arthur da Costa e Silva, que lhe moveu vários processos, levando-o inclusive à prisão, confessa a desfavorável impressão que, na mocidade, tivera de Getúlio Vargas. Na única vez em que o vira pessoalmente, “ajoelhado num suntuoso genuflexório”, tal posição física produzira-lhe juízo negativo. “Sabia que aquele homem não era católico, nem acreditava em Deus. Por que ajoelhar-se então? Por cortesia, por bajulação à Igreja?”.
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Aconteceu que era para escrever sobre Vargas e Cony pesquisou a sua infância, a sua adolescência, os seus tempos de acadêmico de direito, enfim, “todas as etapas da sua vida”. Entrevistou parentes, amigos, inimigos, adversários, pessoas que trabalharam com e contra Vargas. Leu coleções inteiras de jornais e muitos livros. Viajou quilômetros não contados e fez incontáveis anotações, longo fichário. Ao final de tudo isso, Carlos Heitor Cony, na parte introdutória de Quem Matou Vargas, conclui: “Se não fosse Getúlio Vargas, hoje eu estaria sentado na Cinelândia, junto dos homens de minha geração, tocando aquela flautinha para encantar serpentes। Turistas amáveis, de blusões coloridos, dariam gorjetas e tirariam fotografias. Esse seria mais ou menos o Brasil em que estaríamos vivendo se não tivesse ocorrido aquilo que se pode chamar de Época de Vargas. Sei que é preciso ter um pouco de audácia para afirmar isso, mas afirmado está. E a audácia vai mais longe: disse, no início, que não devia nada a Getúlio. Pensando bem, vejo que lhe devo, lhe devemos muito”.
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À página 125, o escritor, comentando o estilo de agir do chefe do governo provisório constituído pela Revolução de 1930, não titubeia, afirma: “Nascia um político — o maior da história do Brasil”. Opinião também manifestada por Barbosa Lima Sobrinho, do alto da sabedoria e da experiência de quem viveu o século 20 inteiro em entrevistas às Páginas Amarelas da revista Veja, aos 97 anos.

O veredito favorável a Vargas, como reconhece o autor de O Ato e o Fato, exige audácia. Realmente. É da historiadora Aspásia Camargo este registro: “Para admiradores e correligionários, Vargas foi o símbolo da emancipação nacional, da criação de um Estado forte e soberano e do trabalhismo nascente. Para irredutíveis adversários, o político das manobras, maquiavélico, prepotente, o ditador e o caudilho”. Temos aí, na observação da historiadora, a tese e a antítese. Barbosa Lima Sobrinho (primeiro historiador da Revolução de 30), conhecendo singularmente todo o processo político brasileiro do século 20, e Carlos Heitor Cony, tendo com absoluta isenção mergulhado, investigativa e analiticamente, no estudo da personalidade e da atuação do notável gaúcho, apresentam, com autoridade inquestionável, a síntese. Síntese da obra fecunda e fecundante do solitário de Itu.

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EURICO BARBOSA, ex-deputado e ex-presidente do TCE, é historiador e autor, entre outros livros, de Confissões de Generais। Pertence à Academia Goiana de Letras, da qual foi presidente।

O mito continua









Revista Época, Edição nº 327 História
Em lançamentos e reedições, os escritores se rendem à lenda e arrancam Getúlio Vargas da História para mergulhá-lo na pura ficção



Luís Antonio Giron

Getúlio Vargas rende mares de tinta, apesar de o assunto ter sido praticamente esgotado pelos acadêmicos e não haver fatos novos revelador neste cinqüentenário। No terreno das teorias conspiratórias e da ficção, porém, Vargas está saindo da História para entrar na Mitologia। Da enxurrada de lançamentos e reedições, destacam-se três títulos: o romance Getúlio, de Juremir Machado da Silva (Record, 434 págs., R$ 44,90), o ensaio Vitória na Derrota - A Morte de Getúlio Vargas (Casa da Palavra, 248 págs., R$ 39,90), do sociólogo Ronaldo Conde Aguiar, e o folhetim Quem Matou Vargas, em edição revista e aumentada (Planeta, 256 págs., R$ 37,50), de Carlos Heitor Cony.

Se o romance contém doses cavalares de pesquisa, os demais títulos, aparentemente objetivos, carregam na fantasia.Ninguém que aborda o tema resiste a especular sobre o crime da Rua Tonelero, até hoje não resolvido, e imaginar as circunstâncias do suicídio: a motivação, a carta-testamento, a conversa entre Getúlio e seu irmão, Bejo, antes do gesto final. Mesmo a célebre frase da carta-testamento - 'Saio da vida para entrar na História' - é posta em dúvida. Muitos acreditam que ela foi acrescentada depois, já que não consta do rascunho de Getúlio. Com tantos elementos, a imaginação dos escritores sobe até a estratosfera. O homem, o político e sobretudo o enigma Getúlio continuam fascinantes

'Ainda não foi escrita a grande biografia de Getúlio', reconhece Cony. 'E não serei eu a escrevê-la, pois é preciso fôlego para dar conta da documentação. Além disso, o biógrafo deverá decifrar o episódio da Tonelero.' Trata-se de um legítimo 'crime perfeito', segundo o autor, que busca resolvê-lo pela imaginação. Seu livro supõe que a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) foi responsável pela armação do atentado para derrubar o governo. 'Isso aconteceu na Guatemala e se repetiu no Chile', compara Cony. 'No Brasil, o governo americano mantinha pessoal treinado e pode ser que tenha tramado um golpe.' O texto, publicado na revista Manchete, em 1967, é deliciosamente conspiratório, cravado com fartas rajadas de ficção. Cony, de 78 anos, confessa que não gostava de Getúlio na juventude, mas mudou de opinião: 'Sem ele, o Brasil seria uma nação atrasada'.

Aguiar, sessentão, ex-petista e professor da Universidade de Brasília, admira Getúlio desde a infância. Acha que nesse assunto a imaginação é incontrolável, mesmo para um cientista social como ele. 'Meu texto se divide em três blocos', diz. 'Os primeiros capítulos são reportagens, depois pulo para a análise. E o estilo que usei no último é a ópera.' O livro exibe uma empolgante mistura de documentação e suposição. 'É possível que o Império Americano, as multinacionais e a direita tenham tramado tudo', viaja. 'Não há crise política que resista a um cadáver moço, e fardado. Vaz, jovem, casado e pai de quatro criancinhas, cabia no figurino.' Em sua análise, Getúlio foi uma das muitas vítimas do imperialismo na América Latina. 'Mas fez do suicídio um triunfo.'

Machado da Silva tem 42 anos e não viveu a era Vargas. Mesmo assim, ambicionou penetrar na consciência do ditador. Não descobre nada de novo, mas jura que seu projeto biográfico não fracassou: 'Fiz uma opção estética. Sou um romancista em busca de bons assuntos'. Sem assumir posição, o romance dá voz a várias interpretações por meio de personagens reais e de ficção. O fio condutor lembra Conversa na Catedral, do peruano Mario Vargas Llosa: Tércio, ex-militante comunista, trava um diálogo com Angel, namorada da ex-mulher de Bejo (atenção: é um 'romance pós-moderno', como diz o autor, o que significa que não tem compromisso com a verdade) no Catete. 'Getúlio foi um labirinto dentro do labirinto', supõe o escritor. O leitor se sente assim mesmo, desorientado pela montanha de hipóteses e visões contraditórias. Ali, entre cenas escatológicas e digressões, os seres de ficção são frágeis e soterrados pelos de verdade. Machado da Silva entrevistou 72 sobreviventes. Faz desfilar figuras como a ex-vedete Virginia Lane, que jura até hoje, aos 82 anos, ter sido amante de Getúlio e vivido temporadas na fazenda dos Vargas. Gegê, como Virginia o chama, teria sido assassinado. O autor se ocupou no passado em demolir os mitos sulistas Érico Veríssimo e Mário Quintana, mas sucumbiu aos encantos do caudilho. 'Afinal, sou gaúcho, de Santana do Livramento', diverte-se, referindo-se às raízes fronteiriças comuns com seu herói. 'Iniciei vendo-o como ditador. Mas passei a simpatizar com ele. Apesar de tudo, Getúlio fez mais pelo Brasil que Lacerda, polemista genial.' O narrador se deixou tragar pela lenda. E o leitor flutua em dúvidas. ''Ele foi um labirinto dentro do labirinto'', diz o romancistaTornou-se consenso afirmar que Getúlio produziu o cadáver mais ativo da História brasileira। O amuleto necrofílico conseguiu atrasar o golpe militar em dez anos e, apesar de o ciclo do trabalhismo ter-se encerrado, segue produzindo fumaças fantásticas. 'Foi ditador, revolucionário e estadista', observa Cony. Aguiar dispara: 'Com todos os defeitos, ele tinha um projeto para o Brasil'. Getúlio ainda é uma esfinge devoradora.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Getúlio

Caros alunos de História

Aqui está o link para o texto que escrevi sobre a exposição “Eu, Getúlio”:
http://arquivodeformas.blogspot.com/2009/07/eu-getulio-fragmentos-do-modernismo.html

Vejam no post seguinte o texto para a próxima aula.

Até sexta-feira

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

I Encontro Nacional de Divulgação de História e Ciências Sociais








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Caros Amigos,

No próximo dia 11 de dezembro, vou palestrar sobre o Café História no contexto da divulgação da História no Brasil. Gostaria de convidar a todos para este momento importante na História do Café História e, sobretudo, no campo das ciências humanas.

A palestra faz parte do I Encontro Nacional de Divulgação de História e Ciências Sociais, evento planejado e executado pela Revista de História (da Biblioteca Nacional) e o Ministério de Ciência e Tecnologia. O evento acontece na Casa da Ciência (Botafogo - Rio de Janeiro) nos dias 10 e 11 de dezembro.

Além de mim, também serão palestrantes: Manoel Salgado, Eugênio Bucci, Ângela de Castro Gomes, Mary Del Priori, Renato Lessa, Ancelmo Gois, Nélson Pereira dos Santos, Keila Grinberg e outros nomes importantes de nosso país.
Mais informações no convite anexo.

Obrigado e Abraços!
Bruno Leal
Jornalista e Historiador (RJ)Rede Social Café História

sábado, 28 de novembro de 2009

Poética









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CAPÍTULO IX


Pelo que atrás fica dito, é evidente que não compete ao poeta narrar exatamente o que aconteceu; mas sim o que poderia ter acontecido, o possível, segundo a verossimilhança ou a necessidade.

2. O historiador e o poeta não se distinguem um do outro, pelo fato de o primeiro escrever em prosa e o segundo em verso (pois, se a obra de Heródoto fora composta em verso, nem por isso deixaria de ser obra de história, figurando ou não o metro nela). Diferem entre si, porque um escreveu o que aconteceu e o outro o que poderia ter acontecido.

3. Por tal motivo a poesia é mais filosófica e de caráter mais elevado que a história, porque a poesia permanece no universal e a história estuda apenas o particular.

4. O universal é o que tal categoria de homens diz ou faz em determinadas circunstâncias, segundo o verossímil ou o necessário. Outra não é a finalidade da poesia, embora dê nomes particulares aos indivíduos; o particular é o que Alcibíades fez ou o que lhe aconteceu.

5. Quanto à comédia, os autores, depois de terem composto a fábula, apresentando nela atos verossímeis, atribuem-nos a personagens, dando-lhes nomes fantasiados, e não procedem como os poetas iâmbicos que se referem a personalidades existentes.

6. Na tragédia, os poetas podem recorrer a nomes de personagens que existiram, e por trabalharem com o possível, inspiram confiança. O que não aconteceu, não acreditamos imediatamente que seja possível; quanto aos fatos representados, não discutimos a possibilidade dos mesmos, pois, se tivessem sido impossíveis, não se teriam produzido.

7. Não obstante, nas tragédias um ou dois dos nomes são de personagens conhecidas, e os demais são forjados; em certas peças todos são fictícios, como no Anteu de Agatão, no qual fatos e personagens são inventados, e apesar disso não deixa de agradar.

8. Portanto não há obrigação de seguir à risca as fábulas tradicionais, donde foram extraídas as nossas tragédias. Seria ridículo proceder desse modo, uma vez que tais assuntos só são conhecidos por poucos, e mesmo assim causam prazer a todos.

9. De acordo com isto, é manifesto que a missão do poeta consiste mais em fabricar fábulas do que fazer versos, visto que ele é poeta pela imitação, e porque imita as ações.

10. Embora lhe aconteça apresentar fatos passados, nem por isso deixa de ser poeta, porque os fatos passados podem ter sido forjados pelo poeta, aparecendo como verossímeis ou possíveis.

11. Entre as fábulas e as ações simples, as episódicas não são as melhores; entendo por fábula episódica aquela em que a conexão dos episódios não é conforme nem à verossimilhança nem à necessidade.

12. Tais composições são devidas a maus poetas, por imperícia, e a bons poetas, por darem ouvido aos atores. Como destinam suas peças a concursos, estendem a fábula para além do que ela pode dar, e muitas vezes procedem assim em detrimento da seqüência dos fatos.

13. Como se trata, não só de imitar uma ação em seu conjunto, mas também de imitar fatos capazes de suscitar o terror e a compaixão, e estas emoções nascem principalmente,... (e mais ainda) quando os fatos se encadeiam contra nossa experiência,

14. pois desse modo provocam maior admiração do que sendo devidos ao acaso e à fortuna (com efeito, as circunstâncias provenientes da fortuna nos parecem tanto mais maravilhosas quanto mais nos dão a sensação de terem acontecido de propósito, como, por exemplo, a estátua de Mítis, em Argos, que em sua queda esmagou um espectador, que outro não era senão o culpado pela morte de Mítis),

15. daí resulta necessariamente tais fábulas serem mais belas.

sábado, 21 de novembro de 2009

Especialização- UFRJ / 2010

SABERES E PRÁTICAS NA EDUCAÇÃO BÁSICA

Cursos de Especialização com previsão para Março

1. Políticas Públicas e Projetos Socioculturais
em Espaços Escolares – 50 vagas
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2. Ensino de História – 30 vagas
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3. Alfabetização, Leitura e Escrita – 30 vagas
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4. Educação Física Escolar – 30 vagas
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5. Ensino de Geografia – 30 vagas
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6. Ensino de Língua Portuguesa – 30 vagas
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7. Ensino de Sociologia – 30 vagas
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Da inscrição: de 07 a 18 de dezembro de 2009, das 10h às 18h, na sala 230, da Faculdade de Educação, no Campus da Praia Vermelha, situado à Avenida Pasteur, nº 250, fundos (www।educacao.ufrj.br).

domingo, 25 de outubro de 2009

Teoria e Prática do Texto

Bibliografia para Seminários Grupais


BAGNO, Marcos. A Norma Oculta. Língua & Poder na Sociedade Brasileira. São Paulo: Parábola, 2003.
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____ Não é errado falar assim. São Paulo: Parábola, 2009.

BAKHTIN, Mikhail. “Para uma filosofia marxista da linguagem” in Marxismo e Filosofia da Linguagem. 2ª ed. Trad. Michel Lahud e Yara F. V. São Paulo: Hucitec, 1981.

BARTHES, Roland. O Prazer do Texto. 4ª ed. São Paulo: Perspectiva, 2004.

CITELLI, Adilson. Linguagem e Persuasão. 4ª ed. São Paulo: Ática, 1989. (Série Pincípios).

COMPAGNON, Antoine. O Trabalho da Citação. Trad. Cleonice P. B. Mourão. Belo Horizonte: UFMG, 2007.

FARACO, Carlos Alberto; TEZZA, Cristóvão. Prática de texto para estudantes universitários. Petrópolis: Vozes, 2004.

FIORIN, José Luiz e SAVIOLI, Francisco Platão. Para Entender o Texto. Leitura e Redação. 16ª ed. São Paulo: Ática, 2003.

LOPES, Antonio Herculano et ali. História e Linguagens. Texto, Imagem, Oralidade e Representações. Rio de Janeiro: 7 Letra, 2006.

MACHADO, Irene A. Literatura e Redação. Conteúdo e Metodologia da Língua Portuguesa. São Paulo: Scipione, 1994.

NETO, Pasquale Cipro. Português no dia-a-dia com o prof. Pasquale. 4. São Paulo: PubliFolha, 2004.

ORLANDI, E. P. Discurso e Texto. Campinas: Pontes, 2001.
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VALENTE, André. (Org.). Língua Portuguesa e Identidade. Marcas Culturais. Rio de Janeiro: Caetés, 2007.

ZOZZOLI, Rita M. D. “Relações entre produção de texto, leitura e gramática na sala de aula de LM” in Odisséia. V 09 – n 13-14. Natal: EduRN, 2006.